Rodoanel Norte
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Dersa investe forte na preservação da Mata Atlântica

Ações incluem resgate de animais e plantas e recuperação de 1.950 hectares de área degradada para mitigar impactos das obras do Rodoanel

São Paulo, 12 de julho de 2017 - As ações de preservação da fauna e flora nos empreendimentos da Dersa (Desenvolvimento Rodoviário S/A) renderam à companhia grande experiência na área e representam um diferencial de atuação. E não é diferente no Rodoanel Mario Covas, maior obra viária da América Latina.

Concluir o Trecho Norte significa cumprir a última etapa de uma obra que vai trazer importantes ganhos ambientais para a cidade de São Paulo. Pelo Rodoanel Mario Covas vai passar todo o fluxo de veículos pesados que se dirigem a outras rodovias e que vão seguir para seus destinos sem precisar circular pelas avenidas marginais de São Paulo. 

Como resultado, haverá uma redução significativa na emissão de partículas de carbono, conhecidas como gases do efeito estufa, na Região Metropolitana de São Paulo, da ordem de 6% a 8%, segundo cálculos da Dersa.

Os impactos da obra sobre o ambiente estão sendo compensados na forma de reflorestamento. Somente em compensações ambientais relacionadas aos Trechos Sul e Norte, a empresa se comprometeu a reflorestar 19,5 km² de áreas degradadas, das quais 10 km² já foram compensados.

No Rodoanel Norte, proteger a fauna e a flora faz parte do cotidiano da obra, que está dividida em seis lotes. O trabalho nos seis lotes, tocado sob supervisão ambiental e executados pelos profissionais das empreiteiras contratadas pela Dersa, é supervisionado pelos coordenadores do Programa de Conservação da Flora e Fauna da companhia, os biólogos Guilherme Domenichelli e Karina Cavalheiro Barbosa.

Domenichelli, há oito anos na empresa, cuida da fauna, e Barbosa, com dez anos de Dersa, é responsável pela flora. Os profissionais estão à frente dos programas ambientais da empresa em todos os seus empreendimentos.

No lote 1, a empresa contratada para supervisionar os trabalhos é a JPG Consultoria Ambiental, com 20 anos de experiência no setor, representada pelas engenheiras ambientais Jamille Consulin (supervisora) e Gabriela Laux.

Os trabalhos contam ainda com participação de profissionais da empreiteira, o veterinário Marcel Ricardo Muzeti, que cuida das duas “bases de fauna” para atendimento de animais, e o responsável pelo Viveiro de Plantas, o viveirista Servílio Mendes.

Educação ambiental
Uma das “bases de fauna” é destinada aos animais domésticos como cachorros e gatos recolhidos no entorno da obra ou que podem sofrer algum acidente devido ao vai-e-vem constante de veículos pesados que circulam pelo local.

A outra base é reservada para os animais silvestres, que devem ser tratados em separado para não serem contaminados por doenças e vírus típicos dos domésticos.

O lote 1 também tem um viveiro para abrigo de plantas nativas da Mata Atlântica e endêmicas (típicas da região) resgatadas da frente de obra. A mesma estrutura é repetida nos demais cinco lotes do Rodoanel Norte, que, quando concluídos, terão 44 km de extensão e diversas obras de arte de engenharia, entre as quais oitos túneis e dezenas de viadutos.

Os chamados DDS (Diálogo Diário de Segurança) são orientações diárias repassadas a todos os operários antes do início das atividades. São transmitidas informações sobre a importância de preservar o ambiente e outras de caráter prático, como lidar com a flora, animais domésticos e silvestres, o que fazer caso encontrar répteis ou animais peçonhentos, como serpentes, entre outros cuidados. Elas passam a fazer parte do cotidiano dos operários e, depois de incorporadas, são transmitidas para os familiares e a outras pessoas com quem vão conviver.

Os operários são orientados a relatar sobre todos os animais que avistam ou encontram na obra. Quando isso ocorre, são redobrados os cuidados para que os animais não sejam molestados. No DME, que é área reservada para descarte de materiais excedentes não utilizados, foi avistado recentemente um casal de veados. A partir da informação, o local foi cercado para evitar que os animais cruzassem a pista por onde trafegam os caminhões. As DME são tratadas e devolvidas aos proprietários completamente saneadas, após concluída a obra.

Onça parda
De acordo  com o veterinário Marcel, os animais silvestres são muito suscetíveis aos estresse, e os transtornos neurológicos causados pelo contato com estranhos ao seu habitat podem levá-los à morte.

Por isso, a ordem é preservá-los ao máximo e só recolhê-los em caso de ferimentos. Mamíferos e aves são resgatados apenas quando é necessário tratamento. Depois de tratados, eles são soltos em reservas apropriadas. No lote 1, há seis áreas especialmente destinadas a devolvê-los para a natureza.

Além do programa ambiental de Resgate e Afugentamento, o de Monitoramento da Fauna, feito a cada quatro meses, acompanha o movimento dos animais silvestres no decorrer da obra. Para isso, são utilizados equipamentos como câmeras de vídeo ocultas na mata e outras técnicas.

As ações de monitoramento começam no início da obra e prosseguem até sua conclusão. O propósito é verificar os efeitos provocados sobre a fauna da região. No lote 3, as câmeras captaram a movimentação de onças pardas e jaguatiricas. Os animais se deslocam por quilômetros Mata Atlântica afora. Uma onça parda, por exemplo, percorre diariamente 40 km pela mata.

Outra preocupação é com a funcionalidade das passagens de fauna. Para tanto foram e estão sendo instaladas cercas orientativas que direcionam os animais ao uso das passagens a fim de conectar fragmentos e impedir que cruzem a rodovia.

Espécies endêmicas
Servílio Mendes é o responsável pelo Viveiro do Lote 1. Ele é especialista em orquídeas nativas. Nascido na região, mora próximo do Horto Florestal. No viveiro, estão abrigadas espécies de vegetação natural da Mata Atlântica consideradas endêmicas (exclusivas da região).

As plantas consideradas doentes são separadas das sadias para evitar contaminação. Elas recebem banho e são tratadas com uma mistura de chuname e butox, um antiparasitário utilizado também para tratamento de animais. As plantas permanecem no viveiro até a época das chuvas, em abril ou setembro, quando são replantadas no Parque Estadual da Cantareira.

Sequestro de carbono
A experiência da Dersa em seus empreendimentos tem levado ao aprimoramento das ações de proteção à fauna e flora, além de fornecer dados para a produção de trabalhos científicos, como o estudo de Quantificação do Sequestro de Carbono em Florestas Biodiversas como a da Mata Atlântica.

Até então, essa quantificação era feita tomando-se por base modelos e métodos estatísticos, mas ainda não haviam sido comprovados na prática. Os dados coletados por estudantes e parcerias, como a do Instituto de Botânico e ESALQ na área do empreendimento da Dersa, comprovaram que os resultados estavam sendo subestimados.

O trabalho ambiental no Rodoanel também resultou em diversas parcerias. O Depav (Departamento de Parques e Áreas Verdes da Prefeitura de São Paulo) e o Parque Ecológico do Tietê, por exemplo, acertaram com a Dersa uma parceria para tratar de animais com ferimentos mais sérios. Outra parceria com a Associação Mata Ciliar, uma ONG de Jundiaí, permitiu a criação de um espaço de 3 mil m² para recepção e tratamento de felinos de grande porte.

Cães e gatos
As obras do lote 1 foram iniciadas em fevereiro de 2013 e já estão em estágio avançado. A tarefa no momento é perfurar o túnel que se encontra no início do percurso do Rodoanel Norte. Nesse estágio da obra, há somente animais domésticos recolhidos, sete cães ao todo.

Mas, ao longo das obras, cerca de 300 animais domésticos foram recolhidos, entre cães e gatos. Eles foram doados depois pela empreiteira. A maioria foi adotada pelos próprios funcionários. Só a engenheira Jamille Consulin, da JPG, diz que levou quatro gatos para casa, para desespero do marido, que foi surpreendido quando encontrou os novos ocupantes.

No início das obras, porém, o movimento de animais silvestres era intenso. Nessa fase, só no lote 1 foram resgatados 1.200 animais silvestres e mais de 5 mil exemplares foram atendidos pelo veterinário na base da fauna.

Depois de tratados, os animais resgatados são soltos em seis hot stops, situados em áreas de reserva ambiental. O fato de o movimento de resgate de animais silvestres ter diminuído é motivo de satisfação para o veterinário Marcel. Não pela diminuição da carga de trabalho, mas como sinal de que os impactos sobre o ambiente causados pela obra estão dentro do controle esperado.

Os compromissos da Dersa
Obras de grande porte têm a obrigação legal e o compromisso social de mitigar e compensar os impactos que produzem no ambiente. No caso da maior obra viária da América Latina, o Rodoanel Mario Covas, essa tarefa assume proporções desafiadoras.

Somente em compensações ambientais dos trechos Sul e Norte, a Dersa (Desenvolvimento Rodoviários S/A), responsável pela obra, assumiu o compromisso de reflorestar 1.950 hectares ou 19,5 km², área equivalente a do Distrito Estadual de Fernando de Noronha e seis vezes maior do que a do Principado de Mônaco, o segundo menor país do mundo, depois do Vaticano.

No Trecho Sul, 1.100 hectares foram reflorestados, e no Trecho Norte, dos 850 hectares que devem ser replantados, 200 estão em área do município de Santa Isabel, na Região Metropolitana de São Paulo, e outros 157 hectares em áreas alteradas do Parque Estadual da Cantareira.

Ainda no Trecho Sul, durante a fase de instalação da obra, foram resgatados 32.350 exemplares de flora da Mata Atlântica, das quais 22.000 foram realocadas em áreas adjacentes e outras 7.000 doadas para fins conservacionistas.

Espécie rara
Uma das plantas resgatadas, a bromélia Tillandsia lineares, antes de ser encontrada pelas equipes de biólogos do Trecho Sul, era considerada praticamente extinta, já que o último registro coletado de sua existência datava de 40 anos atrás.

No Trecho Norte, com a experiência adquirida pelos trabalhos anteriores e esforços aumentados, até o momento, foram resgatados 51.396 exemplares dos quais 19.053 já foram realocados e 24.678 doados.

Além de reparações na flora da Mata Atlântica, as empreiteiras que tocaram o Rodoanel e as que são responsáveis pela conclusão do Trecho Norte, a última etapa da obra, também precisam desenvolver ações de preservação da fauna, bastante diversificada da região.

São compromissos que constam dos Estudos de Impacto Ambiental (EIA) e Relatórios de Impactos Ambientais (RIA), exigidos pelos órgãos de licenciamento e fiscalização ambiental para obras de grande proporções como usinas hidrelétricas, rodovias, ferrovias, linhas de transmissão, e outros empreendimentos do gênero.